{"id":386,"date":"2012-04-23T18:16:14","date_gmt":"2012-04-23T18:16:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfogeiser.com.br\/site\/?p=386"},"modified":"2012-04-23T18:16:14","modified_gmt":"2012-04-23T18:16:14","slug":"paisagens-jardins-sustentabilidade-uma-nova-estetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/2012\/04\/23\/paisagens-jardins-sustentabilidade-uma-nova-estetica\/","title":{"rendered":"Paisagens, jardins, sustentabilidade: uma nova est\u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\tMuito se fala hoje em sustentabilidade. Termos da moda servem a tudo, ou no m\u00ednimo, s\u00e3o utilizados para granjear alguma credibilidade no mercado ou em qualquer universo te\u00f3rico.\u00a0 H\u00e1 os que n\u00e3o toleram o termo <em>\u00a0<\/em>sugerindo substitutivos tais como <em>sobreviv\u00eancia sustentada<\/em> e <em>soft power<\/em>. Assim como ocorreu<strong>, <\/strong>d\u00e9cadas atr\u00e1s, com os termos \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-moderno\u201d, que, usados <em>ad nauseam,<\/em> acabaram se estabelecendo no vern\u00e1culo multicultural, a mesma cena traz uma li\u00e7\u00e3o: a de que parece ing\u00eanuo &#8211; posto que in\u00fatil &#8211;\u00a0 nadar\u00a0 contra a corrente vital da Cultura.<\/p>\n<p>Urge, pois, refletir sobre o conceito e as poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es, tendo como fundamento a conceitua\u00e7\u00e3o original te\u00f3rica. Segundo o Relat\u00f3rio de Brundtland\u00a0 de 1987 e a ECO-92- Confer\u00eancia sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio de Janeiro : \u201c<em>Sustentabilidade \u00e9 um princ\u00edpio, segundo o qual o uso dos recursos naturais para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades presentes n\u00e3o pode comprometer a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades das gera\u00e7\u00f5es futuras&#8221;<\/em>. \u00a0No terreno do paisagismo, a aplica\u00e7\u00e3o do termo exigiria, ao nosso ver, a pondera\u00e7\u00e3o de se planejar paisagens e jardins tendendo \u00e0 auto-sustenta\u00e7\u00e3o, ou seja, tendendo ao custo zero de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse princ\u00edpio tem levado \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o geral da popula\u00e7\u00e3o do planeta da necessidade de se tomar medidas prementes que gerem \u00a0benef\u00edcios ao meio ambiente. E o princ\u00edpio ecol\u00f3gico <em>&#8220;pensar global, agir local&#8221;<\/em> ressalta a responsabilidade relativa a cada pessoa p\u00fablica ou privada de <em>fazer a sua parte.<\/em><\/p>\n<p>Surgem assim os chamados &#8220;selos verdes&#8221;, as &#8220;edifica\u00e7\u00f5es sustentadas&#8221;, os &#8220;edif\u00edcios verdes&#8221;. A busca de &#8220;certificados ambientais&#8221; atestando que um dado empreendimento \u00e9 &#8220;ecologicamente correto&#8221; pode criar benef\u00edcios diversos al\u00e9m dos ecol\u00f3gicos, que valorizam a obra, mesmo que simplesmente em benef\u00edcio de seu aspecto visual e empresarial &#8211; o que aparenta ser uma vantagem em nossa &#8216;sociedade de mercado&#8217;, al\u00e9m\u00a0 de fomentar certa fun\u00e7\u00e3o educativa em benef\u00edcio do meio ambiente. Tais preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o significativas para qualquer interfer\u00eancia humana na paisagem, seja na macro escala, seja na micro escala: Urbaniza\u00e7\u00e3o, Agricultura, Paisagismo.<\/p>\n<p>De fato, atravessamos uma crise ambiental lastreada em muitas incertezas. N\u00e3o obstante, \u00e9 preciso admitir flagrantes certezas: o desrespeito ao C\u00f3digo Florestal, os danos ambientais pela depreda\u00e7\u00e3o da natureza, a deteriora\u00e7\u00e3o do solo, da \u00e1gua, da vegeta\u00e7\u00e3o, cat\u00e1strofes ambientais n\u00e3o totalmente explic\u00e1veis, o efeito &#8216;ilha t\u00e9rmica&#8221; &#8211; que ocorre em grandes extens\u00f5es urbanizadas &#8211; o efeito estufa que vem provocando o degelo nas zonas polares.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o pode parecer catastrofismo para alguns. Entretanto, pa\u00edses como a Espanha j\u00e1 sentem seu amargor na pele. Segundo informa\u00e7\u00f5es do engenheiro agr\u00f4nomo Mauro Victor ( ex- diretor do Instituto Florestal e criador do DEPAVE na PMSP) &#8211;\u00a0 as diversas prov\u00edncias \u00a0mais afetadas pela escassez e a baixa qualidade de \u00e1gua dispon\u00edvel\u00a0 est\u00e3o sendo obrigadas a racionar o uso da \u00e1gua a tal n\u00edvel que est\u00e1 afetando diretamente a qualidade ecol\u00f3gica e visual da paisagem, e em conseq\u00fc\u00eancia, \u00a0a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes para lazer e turismo. Ali\u00e1s, a crise de \u00e1gua afetou sensivelmente o turismo da na\u00e7\u00e3o, uma de suas maiores fontes de riqueza. Hot\u00e9is com campos de golf foram gravemente afetados dada a proibi\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1gua. Se a economia da Espanha baseia-se em servi\u00e7os (60% do PIB) entre eles o turismo, imagine-se o impacto destruidor dessas medidas.<\/p>\n<p>Nessa ordem de id\u00e9ias torna-se urgente repensar uma s\u00e9rie de conceitos de projetos de paisagismo tanto na macro (km2) quanto na micro escala (m2). Primeiramente tendo como denominador comum o uso da \u00e1gua. Em grande parte do Brasil, e incluindo parte do Estado de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 defici\u00eancia h\u00eddrica no solo. E, no que se refere ao paisagismo, ocorre a tenta\u00e7\u00e3o de se utilizar indiscriminadamente a \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o, tendo em vista n\u00e3o s\u00f3 seu crescimento, quanto sua apar\u00eancia est\u00e9tica, \u00a0rapidez no crescimento, turgidez, brilho, intensidade do verde e da colora\u00e7\u00e3o de flores e frutos.<\/p>\n<p>Antes de entrar no m\u00e9rito da quest\u00e3o, considere-se a tend\u00eancia atual\u00a0 de se projetar paisagens e jardins levando-se em conta o material de vegeta\u00e7\u00e3o existente no mercado, que engloba uma miscel\u00e2nea de esp\u00e9cies, nativas e ex\u00f3ticas, tanto origin\u00e1rias de outros pa\u00edses, quanto de outros ecossistemas do pr\u00f3prio territ\u00f3rio nacional. Tais esp\u00e9cies, de m\u00faltiplas\u00a0 exig\u00eancias ecol\u00f3gicas, s\u00e3o colocadas lado a lado, motivando projetos de irriga\u00e7\u00e3o voltados para <em>condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias<\/em>. E estas, por n\u00e3o satisfazerem com exatid\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es ambientais de todas as esp\u00e9cies selecionadas, abrem espa\u00e7o para a presen\u00e7a de doen\u00e7as e pragas. A conseq\u00fc\u00eancia imediata \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de pesticidas qu\u00edmicos que, por sua vez, contaminam os ciclos ambientais e envenenam toda a cadeia alimentar, afetando diretamente a sa\u00fade de todos os seres vivos, incluindo o homem. Tal proposta, embora considerada como correta, merece in\u00fameros questionamentos face a uma outra conjuntura ecol\u00f3gica. A quest\u00e3o do uso de <em>esp\u00e9cies nativas<\/em> <em>como medida de sustentabilidade <\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto parece. Devemos usar a esp\u00e9cie nativa do ecossistema da regi\u00e3o onde estamos trabalhando e ainda mais considerando particularidades locais, tais como a exposi\u00e7\u00e3o do terreno, a proximidade da hidrografia e as varia\u00e7\u00f5es no tipo de solo.<\/p>\n<p>Consideremos o Estado de S\u00e3o Paulo, pensando seu &#8216;balan\u00e7o h\u00eddrico&#8217; de uma <span style=\"text-decoration: underline;\">maneira muito reduzida<\/span>. Em toda a faixa sudeste litor\u00e2nea &#8211;\u00a0 faixa de cem a cento e cinq\u00fcenta quil\u00f4metros em dire\u00e7\u00e3o ao interior &#8211; chove bastante e n\u00e3o h\u00e1 falta de \u00e1gua no solo. Nessa faixa ocorre potencialmente a floresta atl\u00e2ntica com esp\u00e9cies conhecidas por <em>perenif\u00f3lias<\/em> (<em>folhas perenes<\/em>, ao menos no sentido de que a copa das \u00e1rvores est\u00e1 sempre verde). Na medida em que nos dirigimos ao interior do Estado, passa a chover menos e come\u00e7amos a ter defici\u00eancia h\u00eddrica no solo. O resultado imediato \u00e9 que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa , ainda que aparente\u00a0 ser a mesma floresta, ter\u00e1\u00a0 predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies <em>semi-perenifolias e caducif\u00f3lias<\/em>, ou seja, h\u00e1 perda parcial ou total de folhas. Tais esp\u00e9cies est\u00e3o adaptadas naturalmente \u00e0 defici\u00eancia h\u00eddrica, e n\u00e3o necessitam, assim, de \u00e1gua extra. Em agricultura se cultiva esp\u00e9cies que v\u00e3o se adaptando \u00e0s respectivas condi\u00e7\u00f5es procurando-se evitar a irriga\u00e7\u00e3o artificial. Em paisagismo, como esclarecemos acima, devido a condi\u00e7\u00f5es do mercado, come\u00e7a a haver necessidade de irriga\u00e7\u00e3o para se alcan\u00e7ar resultados m\u00e9dios no crescimento e na apar\u00eancia. Assim, no Estado de S\u00e3o Paulo, diferentemente do que ocorreu no caso da Espanha, ainda temos \u00e1gua suficiente para nossos cultivos (agr\u00edcolas ou paisag\u00edstico-ecol\u00f3gicos), mas quem almejar o <em>selo verde da Certifica\u00e7\u00e3o Ambiental<\/em> ter\u00e1 de irrigar menos ou simplesmente\u00a0 n\u00e3o irrigar.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, \u00e9 dr\u00e1stica a situa\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es do Brasil,\u00a0 cujo cen\u00e1rio ambiental \u00e9 similar ao da Espanha. A exig\u00eancia atual ser\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies adaptadas ao <em>estresse h\u00eddrico<\/em>, para evitar o uso de \u00e1gua que poderia ser utilizada para outros fins. Considere-se tamb\u00e9m que se tornam prementes tais necessidades na medida em que ocorrer o crescimento demogr\u00e1fico e o aumento da superf\u00edcie impermeabilizada (zonas urbanas, rodovias). Em breve: o uso da \u00e1gua mesmo no Estado de S\u00e3o Paulo ter\u00e1 de ser cuidadosamente administrado.<\/p>\n<p>No tocante ao <em>estresse<\/em> <em>h\u00eddrico,<\/em> h\u00e1 que se conviver com o mesmo. A vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o morre por falta de \u00e1gua, mas ressente-se por sua escassez. As folhas caem ou secam, justamente as esp\u00e9cies dec\u00edduas e semi-dec\u00edduas. Os agr\u00f4nomos que estudaram na ESALQ-Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz &#8211; e todos aqueles que freq\u00fcentam hoje seu parque em estilo\u00a0 ingl\u00eas constru\u00eddo em 1905 &#8211; v\u00e3o se recordar que nos meses de seca, de setembro ao final do ano, o gramado ficava todo ressequido em tons palha, mas o verde ressurgia vigoroso ap\u00f3s as primeiras chuvas.<\/p>\n<p>Essa conviv\u00eancia leva a outra constata\u00e7\u00e3o: a de que paisagens criadas dessa maneira refletem as esta\u00e7\u00f5es do ano, situando o homem no espa\u00e7o e no tempo &#8211; importante fator para equil\u00edbrio ps\u00edquico, uma vez que n\u00e3o temos esta\u00e7\u00f5es do ano t\u00e3o definidas quanto em pa\u00edses mais frios. Mesmo assim, fatos ambientais como a escassez de \u00e1gua t\u00eam seu papel, juntamente com as diferentes \u00e9pocas do ano onde ocorrem floradas. E n\u00f3s, brasileiros, \u00a0somos felizardos nisso: temos quaresmeiras, paineiras e aleluias, que florescem nos quatro primeiros meses do ano; temos ip\u00eas e su\u00ednas, que florescem no meio do ano e temos diversas leguminosas que florescem nos \u00faltimos quatro meses do ano. Todo um cen\u00e1rio para a frui\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis de espa\u00e7o e tempo durante o ano!<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o das \u00e1rvores na estrutura verde a ser criada, essa <em>vis\u00e3o sustentada da paisagem<\/em> sugere a no\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o de verdadeiros bosques ao lado de \u00e1rvores isoladas. Tais bosques, que podem ter de 50 a 5.000 m2 ou mais, s\u00e3o implantados de maneira similar ao reflorestamento, em dist\u00e2ncias de 1,00 \u00e0 3,00 metros entre as mudas, de maneira a possibilitar que cada muda ocupe 3 a 6 metros quadrados. Esse <em>sistema de plantio<\/em> n\u00e3o \u00e9 novo e tem sido utilizado na forma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes j\u00e1 nos \u00faltimos s\u00e9culos. No Brasil, por Glaziou e Puttemans no final do s\u00e9culo XIX, quando surgiram obras como o Campo de Santana no Rio de Janeiro, e em S\u00e3o Paulo, o Parque do Ipiranga e Dom Pedro II e o citado parque da ESALQ, em Piracicaba, SP. Tal <em>sistema de plantio<\/em> fez parte tamb\u00e9m das propostas do Eng. Agr. Otavio Augusto Teixeira Mendes nos jardins da Funda\u00e7\u00e3o Oscar Americano em S\u00e3o Paulo e na cria\u00e7\u00e3o de mini-bosques na cidade de S\u00e3o Paulo, pelo eng. Agr. Moys\u00e9s Chaimovich, enquanto Diretor do antigo Departamento de Parques e Jardins. Igualmente o mesmo conceito foi utilizado na cria\u00e7\u00e3o dos bosques do Parque Villa Lobos \u2013 projeto arquitet\u00f4nico de D\u00e9cio Tozzi e projeto paisag\u00edstico de Rodolfo Geiser. Colocada nos dias atuais, a mesma proposta ganha significado muito maior, uma vez que est\u00e1 inserida em nova ordena\u00e7\u00e3o da realidade, onde s\u00e3o fundamentais diretrizes ecol\u00f3gicas mais exatas e conscientes em busca da <em>tend\u00eancia \u00e0 sustentabilidade.<\/em> Ela ganha sentido est\u00e9tico e \u00e9tico. Uma Est\u00e9tica onde o belo est\u00e1 aliado \u00e0 \u00c9tica da preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Um dos modelos de pensar esses projetos \u00e9 o <em>jardim-floresta<\/em> criado num lote urbano de 900 m2, com 500 m2 de jardins, para o Professor John McNamara em Ribeir\u00e3o Preto, SP. Numa m\u00e9dia de uma muda a cada 7m2, plantou-se 70 mudas de esp\u00e9cies vegetais arb\u00f3reas nativas, cuidadosamente selecionadas em fun\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os dos jardins e atendendo ao princ\u00edpio da maior <em>diversidade vegetal<\/em> poss\u00edvel. Executado em 2005, apresenta-se hoje ap\u00f3s seis anos, com altura superior a da resid\u00eancia que possui dois andares. Nele, por solicita\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio que \u00e9 professor de Biologia na USP da cidade, n\u00e3o existem gramados nem canteiros de flor\u00edferas. As folhas que caem permanecem sobre o solo e a\u00ed se decomp\u00f5em, enriquecendo-o e recompondo os ciclos ambientais. Surgem assim, espontaneamente nesta base org\u00e2nica, in\u00fameras outras esp\u00e9cies vegetais, entre elas, \u00e1rvores cujas sementes s\u00e3o trazidas por p\u00e1ssaros. Aparecem tamb\u00e9m esp\u00e9cies vegetais mais singelas, como fungos, liquens e musgos, ampliando a diversidade, que \u00e9 outro requisito da <em>certifica\u00e7\u00e3o ambiental.<\/em> Numa segunda fase da implanta\u00e7\u00e3o se promover\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o de um sub-bosque atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies herb\u00e1ceas e arbustivas, tamb\u00e9m nativas.<\/p>\n<p>Na sua condi\u00e7\u00e3o de bi\u00f3logo, o propriet\u00e1rio j\u00e1 classificou no per\u00edodo cento e vinte esp\u00e9cies diferentes de p\u00e1ssaros (vide box). A resid\u00eancia nessas condi\u00e7\u00f5es possui temperatura mais amena, n\u00e3o requerendo o uso de aparelhos de ar condicionado, enquanto as moradias vizinhas o requerem. Com isso atende-se a mais um requisito de um <em>selo verde, <\/em>\u00a0ou seja, a inten\u00e7\u00e3o de se economizar energia el\u00e9trica. Nessa linha de pensar, a casa possui aquecimento solar. O equil\u00edbrio ecol\u00f3gico torna-se mais rico e <em>menos vulner\u00e1vel<\/em>: a vegeta\u00e7\u00e3o fica mais equilibrada e integrada no ecossistema da regi\u00e3o. N\u00e3o aparecem ervas daninhas, nem pragas significativas na vegeta\u00e7\u00e3o, eliminando assim a necessidade de se utilizar pesticidas, o que \u00e9 mais um requisito para a certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se constata nesse <em>jardim-floresta<\/em>&#8216; \u00e9 o fato de n\u00e3o estar somente de acordo com a sustentabilidade , mas o fato de apresentar caracter\u00edsticas que o elevam \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de <em>tendend<strong>o<\/strong><\/em><em> \u00e0 auto-sustentabilidade<\/em>, ou seja, tendendo a custo zero de manuten\u00e7\u00e3o. Esta fica reduzida a varrer as folhas dos pisos para as partes perme\u00e1veis do jardim e a alguma poda de forma\u00e7\u00e3o para eliminar algum crescimento indesej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tais jardins, ainda que implique certa postura apaixonada do propriet\u00e1rio, levam a uma <em>nova est\u00e9tica<\/em>. A linearidade e a geometria tornam-se secund\u00e1rias face \u00e0 nova ordem da natureza: seu aspecto silvestre. Gramados rigorosamente ceifados s\u00e3o substitu\u00eddos por relvados. O luxuriante de extensos canteiros de flor\u00edferas e folhagens herb\u00e1ceas, &#8211; altamente exigentes em tratos culturais como a irriga\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 substitu\u00eddo pelo discreto e sutil contraste verde das folhagens, t\u00edpico de nossas matas.<\/p>\n<p>O <em>fator acaso<\/em>, t\u00e3o importante na frui\u00e7\u00e3o da paisagem, antes quase inexistente, surge agora com toda for\u00e7a, atrav\u00e9s da imprevis\u00edvel presen\u00e7a da avifauna. E at\u00e9 mesmo mam\u00edferos e invertebrados s\u00e3o atra\u00eddos para esse ambiente silvestre em plena \u00e1rea urbana. A preocupa\u00e7\u00e3o com a maior taxa de permeabilidade do terreno leva a cria\u00e7\u00e3o de pisos em <em>decks<\/em> elevados. Ou seja, surgem novos crit\u00e9rios para se apreciar exuber\u00e2ncia da paisagem. Em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia do paisagismo atual, atrav\u00e9s de um <em>design<\/em> criado, manipulado e controlado exclusivamente pelo homem, promove-se a livre express\u00e3o da Natureza \u2013 o que pode n\u00e3o significar uma rom\u00e2ntica volta \u00e0 Natureza, mas simplesmente novos rumos para uma <em>paisagem tendendo \u00e0 auto-sustenta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Rodolfo Geiser,\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se fala hoje em sustentabilidade. 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Assim como ocorreu, d\u00e9cadas atr\u00e1s, com os termos \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-moderno\u201d,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[24,27,31,37,40],"class_list":["post-386","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos-e-reflexoes","tag-meio-ambiente","tag-nova-estetica","tag-paisagismo","tag-sustentabilidade","tag-vegetacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/386\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfogeiser.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}